O Tratamento do Ronco e da Apnéia do Sono

Publicado no jornal Bem Estar – Março / 2011

Algumas patologias bastante severas continuam sendo vistas pela sociedade como coisas normais e até como algo que se deva a aprender a conviver, o que pode trazer sérios prejuízos à saúde global do paciente. No âmbito destas doenças estão o ronco e a apnéia obstrutiva do sono, patologias que merecem toda nossa atenção.
O Ronco é um problema social sério, atingindo cerca de 30% das pessoas, alterando inclusive a convivência com o cônjuge, sendo muitas vezes causa de separações, ou com os amigos, geralmente tornando a pessoa que ronca alvo de brincadeiras. É causado pela vibração dos tecidos da garganta (parede posterior da Faringe, dorso da língua, palato mole e úvula), em função da turbulência do ar à medida que as vias aéreas se estreitam. A obesidade, a respiração bucal e o uso de cigarro e álcool agravam de modo significativo o ronco. Em muitos casos o ronco é sintoma de outros problemas, como a Síndrome da Apnéia obstrutiva do sono, doença grave, quando em níveis mais elevados interfere de modo importante no agravamento de doenças que podem levar o paciente a morte, como hipertensão, enfarte do miocárdio e AVC (derrame) e diabetes.

A Apnéia do sono é a obstrução das vias aéreas por alguns momentos durante a noite, através da aproximação dos tecidos da garganta, fechando a passagem do ar e impedindo a respiração por alguns segundos, varias vezes por noite, e o ronco é a vibração dos tecidos da garganta no momento da passagem do ar. Esses problemas são freqüentes no homem a partir dos 30 anos e nas mulheres a partir da menopausa. Atualmente o tratamento através de aparelhos orais, tem ganhado importância no tratamento desses problemas, de fácil adaptação e grande eficiência, os aparelhos vem ganhando espaço como uma das principais formas de tratamento. Os principais sintomas da apnéia do sono são o ronco e a sonolência diurna excessiva. O ronco é também um fator de desagregação familiar, muitas vezes levando a pessoa que ronca a dormir em quarto separado, bem como torna a pessoa que ronca motivo de piadas entre companheiros de trabalho e amigos, quando tem que dividir quarto com algum destes. Para se realizar o diagnóstico da presença e a severidade da apnéia do sono, o paciente deve ser submetido a uma avaliação polissonográfica. (Exame em que o paciente dorme uma noite em um laboratório de sono onde é avaliado sobre todos os eventos durante a noite.)

Objetivos do tratamento. Para pacientes com ronco primário, sem característica de apnéia do sono ou de síndrome das resistências das vias aéreas superiores, o objetivo do tratamento é reduzir o ronco a um nível subjetivamente aceitável (padrão).

Para pacientes com apnéia do sono, o resultado desejado do tratamento inclui a eliminação dos sinais e dos sintomas clínicos de apnéia do sono e a normalização do IAH e da saturação de oxihemoglobina.

O Aparelho intra-Oral vem sendo usado no Canadá e nos Estados Unidos desde a década de 80 para o tratamento do ronco ou apnéia obstrutiva leve ou moderada. Para o roncador o aparelho tem uma eficácia de até 95% e para o apnéico de leve a moderada intensidade de até 80%. Porém, o aparelho só deve ser colocado por profissional da odontologia capacitado em medicina do sono e após a realização do exame de polissonografia, onde um médico é responsável pelo laudo diagnóstico da referidas doenças.

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A auto-estima e as reabilitações estéticas e funcionais

Publicado na revista PIER – Novembro / 2010

Com a evolução constante da medicina e incluída neste contexto estão todas as possibilidades terapêuticas, tanto preventivas como reparadoras, e neste conjunto de ciências médicas encontra-se a odontologia, com todas as suas especialidades, podemos vislumbrar abordagens e tratamentos que permitem ao paciente vivenciar experiências muito positivas através da reabilitação funcional e estética, onde percebemos uma profunda mudança no processo de auto-estima do paciente, que pode ser em uma criança a partir da segunda infância até um adulto octagenário. Percebe-se aí a capacidade de especialidades odontológicas como a implantodontia, a estética odontológica e a ortodontia poderem promover no universo da saúde emocional do paciente, logicamente estas suportadas por outras especialidades odontológicas e demais áreas médicas, na busca pela promoção de saúde do paciente.

Quando nos remetemos a nossa infância fica fácil lembrar e perceber como são muitas vezes cruéis as crianças umas com as outras, qualquer traço físico ou comportamental diferente da média do grupo propicia que este mesmo adote uma postura diferenciada para com determinada criança ou adolescente, sendo desde a forma mais sutil, não sendo um dos membros do grupo dos mais populares da turma, ou até mesmo de forma mais grosseira como os agora detectados bullyings.

O fato em questão é que a auto estima começa a ser construída na infância e por este motivo toda abordagem que venha no sentido de fortalecer o individuo na construção da autoconfiança é muito importante. Quem não foi vitima ou presenciou alguém sendo taxado de gordo (a), feio (a), magricelo (a) ou dentuço (a). Como exemplo das marcas que isto pode causar um caso bem simples de uma criança por ter seus surtos de crescimento levemente mais tardios que a media dos colegas, era sempre a primeira da fila, a mais baixa durante todos os primeiros anos escolares, os anos se passaram e por seu crescimento ser levemente tardio se tornou mais alta do que a maioria das colegas, hoje possui uma altura entre média e alta, porém se surpreende ao dizerem que ela é alta, continua vendo a si mesma como baixa. Em odontologia, mais precisamente em ortodontia, podemos participar efetivamente na desconstrução deste processo negativo e realmente fortalecermos a construção da auto-estima como no caso de uma paciente que aos dez anos era chamada de Mônica pelo fato de ser baixa, gordinha e dentuça, e por conseqüência era excluída das brincadeiras, o verdadeiro bullying, e aos 14 anos, após o tratamento ortodôntico, era eleita a presidente do grêmio estudantil. E a pergunta que fica: Que marcas teriam deixado em seu emocional seus dentes exageradamente projetados, olhando aos moldes da criança que era a mais baixa da turma?

Tratando-se do universo adulto as questões relacionadas impactam em uma personalidade já formada, embora não imune a períodos de baixa auto-estima, que todos nós passamos, com maior ou menor intensidade e maior ou menor número de vezes. Em um adolescente e em adulto jovem, isto parece estar bem mais a flor da pele e pequenos defeitos estéticos podem provocar descontentamentos importantes, e isto talvez explique a grande procura por esta faixa etária por tratamentos de estética dental. Já os adultos um pouco mais maduros, que embora não pareçam estar tão suscetíveis a isto padecem da mesma forma, porém às vezes envolvidos com problemas profissionais, familiares, entre outros, não percebem as benesses deste tipo de reabilitação poderia lhe oferecer. Este quadro vem se alterando gradualmente através das mulheres, que já perceberam a melhora na qualidade de vida proporcionada por tratamentos reabilitadores estéticos através de tratamentos restauradores e de cosmética dental que devolvem, quando executados com o preciosismo devido, novamente a jovialidade ao sorriso, impactando positivamente em termos de auto-estima e autoconfiança e também das reabilitações funcionais, por que hoje em dia estas mesmas mulheres sofrem a mesma pressão do mercado de trabalho que os homens e conseqüentemente o mesmo nível de estresse, o que pode disparar ou acelerar processos destrutivos como o bruxismo, na disfunção da ATM. Os homens, que alem de se beneficiarem da reabilitação estética através da reconstrução de um sorriso novamente jovial, tem, por sua vez, um ganho ainda mais importante em uma reabilitação funcional (a reabilitação dental através de implantes osseointegrados), que é a capacidade de morder firme como se os dentes fossem naturais, o que resgata atávicos atributos primitivos e inconscientes capazes de devolverem parte da virilidade perdida o que está diretamente relacionado com a autoconfiança e naturalmente com a auto-estima.

Como percebemos as reabilitações, estéticas e funcionais, e na maioria das vezes elas são indissociáveis, participam profundamente na vida emocional das pessoas, o que amplia muito a atuação do profissional da odontologia, pois a abordagem, a questões onde a auto-estima está envolvida, deve ser feita com muita sensibilidade e cautela no momento do diagnóstico e na proposição dos tratamentos. Através desta visão a abrangência no trato de todas as questões de saúde, sejam elas físicas ou emocionais, receberão sempre uma abordagem adequada e sobre o ponto de vista da saúde global do paciente.

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Doenças Modernas

Publicado no Jornal Bem Estar – Outubro / 2010

A vida moderna nos trouxe uma serie de transtornos e patologias que até então não tinham um espaço tão grande em nossas vidas, o que de uma forma geral na área da saúde se denomina de doenças modernas.

Muitas doenças que já existiam, tiveram um grande incremento em incidência e podemos citar como exemplo as doenças emocionais ou doenças psicossomáticas. O estresse da vida moderna gerado por uma sociedade de consumo e pela competitividade inerente a ela nos dá o norte nas condutas desde a infância, fazendo com que o indivíduo sofra com patologias emocionais nos mais variados graus, por vezes desde os primeiros anos de escola. Aliado ao estresse, a ansiedade e a depressão também se apresentam neste conjunto de doenças emocionais onde a saúde global é afetada e o individuo passa a manifestar uma serie de doenças associadas a estas alterações emocionais.

No escopo das doenças que podem ser provocadas ou exacerbadas por elas, encontra-se a Disfunção da A.T.M. (Articulação Têmporo Mandibular), patologia do sistema articular da mandíbula e base do crânio. Este sistema, chamado sistema estomatognático, é responsável pela mastigação e participante nos movimentos da cabeça e pescoço, da fonação e até da mímica facial. Desta forma podemos perceber que o grau de importância tanto do tratamento quanto da prevenção desta patologia. Um dos sinais mais conhecidos é o bruxismo, porém podemos ter outros sinais e sintomas como: Dor coluna cervical, dores de cabeça, dor em abertura e fechamento da boca e cliques, estalidos, crepitação da articulação, que muitas vezes são acompanhados por desconforto muscular.

O tratamento mais comumente utilizado é o uso de placas ou férulas oclusais, as Placas de bruxismo, porém este tratamento deve ser iniciado por um atento exame anamnésico, como a investigação da história médica-odontológica do paciente, investigação de hábitos posturais como posição ao dormir, trabalhar, fazer crochê e hábitos como roer unhas, segurar objetos com os dentes, etc.

Um dos maiores erros nos tratamentos com placas oclusais está no fato de muitos profissionais da odontologia restringem este tratamento apenas à aplicação de uma placa com apenas uma única sessão de ajuste, o que inicialmente traz um conforto inicial, porém em longo prazo pode trazer danos irreversíveis, à medida que o tratamento se fundamenta na posição articular, e a maioria dos pacientes com disfunção apresenta uma posição de acomodação da sua mordida, fato que torna necessária uma terapia com placas oclusais, no sentido de provocar uma desprogramação neuromuscular para que em três a quatro sessões se consiga alcançar a posição articular.

Como mencionado anteriormente acerca das doenças modernas, o tratamento passa por uma abordagem multidisciplinar onde o controle do estresse, da ansiedade, fatores emocionais causais, deve ser tratado, bem como fatores dentários (falta de dentes, mau posicionamento), ortopédicos, fisioterápicos e onde o educador físico tem função importante, para que se tenha uma abordagem global de saúde.

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Exames preventivos em odontologia

Publicado no Jornal Bem Estar – Novembro / 2010

Sempre quando falamos em saúde e bem estar pensamos em uma alimentação equilibrada, na prática de exercícios físicos, em ter uma boa relação familiar, um trabalho que nos gratifique, ou seja, todos os ingredientes que em conjunto seriam suficientes para se ter uma vida saudável. Muitas pessoas que apesar de buscar ter uma vida norteada por estes preceitos desenvolveram ou podem vir a desenvolver determinadas patologias que por sua vez também poderiam ser evitadas através de exames de preventivos de rotina, é o que se propõe em uma odontologia com foco na saúde global do paciente, onde os exames preventivos de câncer de tecidos mole e de origem dentária têm seu lugar.

Um dos maiores desafios da medicina moderna é a luta contra o câncer, milhares de pacientes no mundo inteiro padecem com esta enfermidade e muitos deles não vencerão esta luta. Campanhas de esclarecimento são feitas para prevenção dos vários tipos de câncer que atingem praticamente todos os órgãos e tecidos e muitos deles já são bem conhecidos, como os miomas, os carcinomas, etc. o fato é que tumores também ocorrem na cavidade bucal e por este motivo necessitam de exames periódicos de rotina. Com exemplo podemos citar todos os cistos e tumores odontogênicos, tumores com origem nos tecidos dentários, onde alguns deles são extremamente malignos, podendo levar o individuo ao óbito em pouco tempo, caso não seja tratado. Estes tumores na maioria das vezes são detectados em exames de rotina como um RX Panorâmico, exame recomendado como preventivo de câncer a partir dos 40 anos.

Os tecidos moles também merecem atenção especial no quesito prevenção de câncer bucal, pois exames do assoalho, da boca, palato, mucosa da bochecha e lábios, devem ser examinados periodicamente pelo próprio paciente, assim como nas mamas, este auto-exame pode salvar a vida de um paciente. Toda lesão que não cicatrizar em um período superior a 15 dias, tendo ou não bordas elevadas, deve receber atenção especial, deve-se procurar um cirurgião-dentista para uma avaliação mais criteriosa.

A questão do siso é praticamente um capitulo aparte, pois uma das perguntas mais comuns sobre o tema é porque motivo retirar os sisos se eles nem nasceram, o fator problema que indica a remoção dos sisos inclusos, intra-ósseos, está justamente na relação direta com a origem dos tumores de origem dentária, todos os dentes possuem uma membrana que os protege de uma reaborsorção por parte das células do próprio organismo até o momento de sua erupção, porem se este dente se mantiver dentro do tecido ósseo por um período superior ao seu período natural de erupção, por volta dos 18 anos, aumenta a probabilidade de desenvolvimento da proliferação tumoral das células desta membrana, o câncer propriamente dito. Obviamente teríamos muitas outras razões a enumerar para indicar a remoção dos sisos, mas estas não estão em nosso tema desta vez.

Dentro de um conceito de promoção de saúde, não podemos abrir mão de determinadas práticas que visam a prevenção de determinadas patologias e no caso específico dos tumores cancerígenos o diagnóstico precoce tem se mostrado um fator decisivo para a cura efetiva desta doença, incorporemos então estes exames em nossa lista obrigatória.

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